“Tecnologia é a grande promessa, mas ainda não sabemos usá-la em sala”, diz especialista

Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira, participou da primeira mesa de debate do Educação 360 Jovem Tech

Compreender, utilizar e criar tecnologias de forma crítica, reflexiva e ética. Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que define o conteúdo mínimo que os estudantes de ensino médio do Brasil deverão aprender, essa é a missão das escolas no que se refere à tecnologia. Mas, para Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb), a utilização de ferramentas tecnológicas ainda é um desafio no mundo inteiro. Lúcia participou da primeira mesa de debate do Educação 360 Jovem Tech com Lee Magpili, designer da Lego Education, e diversos jovens interessados. O tema era “Tecnologia no ensino médio”.

—  Estive agora em um congresso da Unesco, em Paris, para discutir a inteligência artificial na educação. O mundo todo entende que a tecnologia é uma grande promessa, mas ainda não sabe como utilizar — diz Lúcia, que elogiou o texto da BNCC.

Os estudantes apresentaram suas visões. Uma jovem da plateia, moradora do Complexo da Maré que participa de um programa da Fundação Roberto Marinho, defendeu que o uso da tecnologia é sedutor, mas se preocupa com a questão do acesso: onde ela mora, conta, são poucos os que têm o privilégio de ter um computador em sala de aula. Outros adolescentes ainda lembraram estudantes que discutem feminismo e racismo na web como trabalhos pedagógicos.

— Não podemos lutar contra o que os alunos fazem naturalmente. Não podemos lutar contra o Facebook. É natural pensar que ter um instrumento manipulativo, como o celular, em sala pode gerar distração. Mas o professor precisa pensar como ir com o fluxo e não lutar contra — diz Lee, desenvolvedor de brinquedos educativos do Lego que apresentou um “lagarto tecnológico”. — Estudei muita robótica e biologia para saber como montar esse projeto.

Lúcia afirmou que o papel do professor precisa manter em mente que ele não será trocado por novas ferramentas. Segundo ela, só o docente pode desenvolver a capacidade dos alunos de argumentar e desenvolver conhecimento coletivamente.

Mas o profissional precisa de algumas competências digitais. Precisa aprender a ensinar com tecnologia, o que ele não aprendeu na faculdade. Aprender a como personalizar a experiência de aprendizado para o aluno. A outra importante que o docente deve ter em mente é cidadania digital: como formam cidadãos conscientes no mundo digital.

No palco, o estudante Giovanni Hora, de 14 anos, que participou do debate, contou que professores dão testes de múltipla-escolha para saber estatisticamente no que a maior parte da turma tem dificuldade. Já Juliana Amaral, aluna do Colégio pH da Barra da Tijuca, afirmou que criar um robô estimula o aluno por conta do desafio.

— Ver que você pode fazer aquilo dá um orgulho… Isso estimula — conta.

O Educação 360 é uma realização dos jornais O GLOBO e Extra com patrocínio de Sesi e Colégio pH, apoio institucional de Instituto Inspirare e apoio de TV Globo, Canal Futura, TechTudo, Revista Galileu, Unesco e Unicef.

 

Meu nome é Marcos, tenho 22 anos e sou estudante de Administração de Empresas na UFRGS. Sou apaixonado por tecnologia, tendências, marketing e tudo que rompa com a nossa estúpida sensação de controle sobre nossas vidas. Muito rock, astrofísica e uma pitada de gastronomia!

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