Inteligência artificial da IBM discutiu com campeão de debates. E Perdeu

Miss Debater baseia os seus argumentos em artigos de jornais e revistas científicas, mas ainda não venceu nenhum humano.

O sistema de inteligência artificial que a IBM criou para debater temas complexos perdeu o seu primeiro debate ao vivo com um humano durante a noite de segunda-feira, em São Francisco, nos EUA. Do outro lado da discussão estava Harish Natarajan, que tem o recorde de mais vitórias em debates de competição, e já participou em finais de campeonatos mundiais e europeus de debate.

Desde 2012 que a empresa está a trabalhar no Project Debater para criar uma máquina capaz de contestar ideias humanas, mas o sistema (a que a IBM chama Miss Debater por usar uma voz sintetizada feminina) ainda não conseguiu ganhar nenhum. No passado, os temas envolveram a exploração espacial e o uso de telemedicina (tecnologia para consultas médicas à distância).

Desta vez, a Miss Debater tinha de convencer um auditório, em vez de um júri, sobre a possibilidade de o ensino pré-escolar ser subsidiado pelo Governo norte-americano. O sistema da IBM achava que sim (tal como 79% da assistência, no começo do debate), e citou vários estudos norte-americanos que mostram que crianças que tiveram um ensino pré-escolar têm mais sucesso académico. Mas o adversário humano foi mais persuasivo. No final, apenas 30% concordavam com a máquina da IBM.

 

Tal como em competições anteriores, uma das falhas da Miss Debater é a falta de expressividade na apresentação dos seus argumentos, consequência da voz sintetizada e artificial.

Apesar da vitória, Natarajan admitiu estar impressionado com o sistema da IBM: “O que me impressionou foi o valor potencial do Project Debater quando combinado com um ser humano, devido à enorme quantidade de informação que é capaz de utilizar”, disse o vencedor, após 25 minutos a discutir educação com a Miss Debater. “É claro que se pode encontrar a informação ao procurar, mas o sistema é capaz de a contextualizar para dizer ‘esta informação diz-nos isto’.”

Project Debater foi criado para ser capaz de criar uma narrativa persuasiva, rapidamente, através de informação numa enorme base de dados da IBM. No site do projecto, a equipa explica que o sistema “pode debater muitos assuntos diferentes, desde que estejam bem trabalhados no gigantesco corpus [base de dados de conhecimento] a que o sistema tem acesso”. Inclui centenas de milhões de artigos de revistas científicas e jornais na base de dados da IBM. Para já, o sistema não está ligado à Internet.

A máquina é capaz de perceber o ponto de vista do adversário, para o conseguir contestar, através da tecnologia Watson Speech to Text, da IBM, que converte informação auditiva em texto, para depois a pesquisar.

Nos últimos anos, competições entre seres humanos e máquinas inteligentes tornaram-se cada vez mais comuns. Apesar dos resultados com o Project Debater, a IBM é conhecida por construir supercomputadores capazes de derrotar humanos em jogos de tabuleiro e perguntas sobre cultura geral. Na década de 90, o computador Deep Blue, da IBM, derrotou o lendário jogador de xadrez Garry Kasparov. Mais tarde, em 2011, o supercomputador Watson derrotou dois humanos no popular concurso televisivo Jeopardy, em que os participantes têm de formular a pergunta certa para a resposta que lhes é dada.

Wikimedia Commons

A equipa da IBM não considera a falta de vitórias da Miss Debater uma falha: o objectivo do projecto, a longo prazo, não é derrotar os humanos em debates, mas ajudar na tomada de decisões. “A questão ‘será que as máquinas vão ser melhores que humanos em debates?’ não é uma pergunta interessante”, disse Ranit Aharonov, responsável pelo projecto da IBM, no final do debate.

“Queremos que as pessoas saiam daqui e pensar: ‘Este debate está-me a enriquecer e enriquecer as decisões que vou fazer no futuro’”. Aharonov vê o projecto a ajudar humanos a tomar decisões difíceis: “Pode debater ambos os lados sozinho, e alertar para todos os prós e contras, para que as pessoas tenham uma visão mais ampla do assunto e possam tomar melhores decisões.”

 

Por Karla Pequenino, do Publico.

Meu nome é Marcos, tenho 22 anos e sou estudante de Administração de Empresas na UFRGS. Sou apaixonado por tecnologia, tendências, marketing e tudo que rompa com a nossa estúpida sensação de controle sobre nossas vidas. Muito rock, astrofísica e uma pitada de gastronomia!

Leave a comment